CÂMARA MUNICIPAL DE BARRA DE SÃO FRANCISCO - ES

Aprovado programa para melhoria genética do rebanho bovino

Foi na sessão legislativa desta segunda feira dia 20, onde foram discutidos, votados e aprovados dois projetos de autoria do Executivo Municipal. Um deles que recebeu parecer favorável da Comissão de Justiça, Legislação e Redação sobre o Projeto de Lei nº 023/2024, que institui o Programa de Fertilização IN VITRO – FIV no âmbito do Município de Barra de São Francisco e dá outras providências.

A maioria dos parlamentares que foram para a tribuna não perderam a oportunidade de mais uma vez cumprimentar o Executivo pela iniciativa da intenção de criar um programa com o uso da técnica de fertilização in vitro (FIV), na reprodução de bovinos leiteiros, o caminho da seleção.

Todos os vereadores que falaram do projeto, antecipam que o melhoramento genético pode ser encurtado em algumas gerações de seleção, permitindo rápidos saltos na produção e na qualidade do leite.

Apesar de um pouco mais cara que a inseminação artificial por tempo fixo (IATF), a FIV pode contribuir para o aumento da produtividade em bacias leiteiras. Considerando hipoteticamente um rebanho de produção média de 4.000 kg de leite/lactação, se fosse utilizada a inseminação artificial com sêmen de um touro que adicione 500kg de leite/lactação às filhas, seriam necessários cerca de 30 anos para se obter uma fêmea com produção de 9.000 kg de leite/lactação. Com a FIV, utilizando-se uma fêmea superior (9.000kg/lactação) de outro rebanho e o sêmen sexado do touro do exemplo acima, já na primeira geração (três anos) seria possível obter uma fêmea com produção média de 9.500kg/lactação. A produção de leite da primeira lactação dessa fêmea já pagaria com tranquilidade o investimento com a compra de genética, por meio de prenhezes de FIV.

No noroeste do estado, a maioria dos produtores de leite é de pequeno e médio porte, sendo que 80% das propriedades têm área de até 20 hectares. Segundo especialistas, o fraco desempenho produtivo na região tem estreita ligação com a qualidade genética dos rebanhos, predominantemente mestiços das raças Gir e Holandês e sem registro de genealogia.

Por aqui, a monta natural ainda é muito utilizada, principalmente por pequenos produtores. Isso atrasa a seleção genética, pois os cruzamentos são feitos sempre com os mesmos touros, e esses animais normalmente não são provados.

Para tanto o município através da Secretaria Municipal de Agricultura utilizará um índice de avaliação genética específica para as raças Guzerá e Gir, regulado por norma complementar, tanto que o produtor interessado deverá se comprometer e ficar ciente da obrigação de pagar o valor por animal referente ao Programa FIV (embrião implantado) e o hormônio para o TETF, correspondente a 20% do valor total dos serviços prestados.


Resultados no campo

Para o produtor, o avanço genético permitido pela técnica é significativo, uma vez que o potencial do animal já se traduz em aumento de produção logo na primeira geração, e o investimento já é pago. A FIV e a transferência de embriões mudaram tremendamente o Gir Leiteiro nos aspectos de venda e genética em municípios onde foi implantado o sistema.

 
A técnica e suas vantagens

Na FIV, oócitos (células sexuais femininas) aspirados dos folículos ovarianos de uma vaca são
 
A cada 15 dias, uma nova aspiração folicular pode ser feita, obtendo-se assim mais prenhezes. Como o sêmen de vários touros pode ser usado, a técnica permite variabilidade genética. "Mesmo se a vaca doadora ficar prenha, é possível fazer aspirações durante os cinco primeiros meses de gestação. Com oito aspirações em apenas quatro meses, por exemplo, obtém-se cerca de 80 embriões e 32 a 40 prenhezes, contra apenas uma prenhez para cada IATF, que vai imobilizar a fêmea por quase um ano, como explicou um produtor bastante animado com o novo programa.

Segundo um criador médio de gado e produtor de leite no município, para quem seleciona genética, o uso da FIV permite um salto de três gerações em comparação à monta natural e à IATF: "É o tempo de o animal crescer e ter a primeira lactação. Para quem está formando o rebanho, a técnica é ainda mais indicada, porque você vai direto ao que há de melhor em genética, juntando a melhor fêmea provada com o melhor touro e produzindo embriões em escala", disse o produtor da região de Vila Paulista.

Outra vantagem é a maior eficiência na utilização do sêmen sexado para fêmea, ferramenta muito importante para a pecuária de leite, pois proporciona cerca de 90% de chances de nascimento de animais do sexo feminino. "Você dirige o melhoramento. Com o sêmen não sexado, a chance de nascer fêmeas é de apenas 50%. Já com o sêmen sexado, aumenta a chance de o produtor obter mais fêmeas extremamente melhoradas na propriedade sem a necessidade de descartar ou vender os machos", ressalta.

Data de Publicação: terça-feira, 21 de maio de 2024

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